1º de MAIO

Juvenal Pedro Cim*

O dia 1º de maio de 1886, em Chicago, nos Estados Unidos, deveria ser o primeiro dia do início pacífico da segunda greve que se fazia, em todo o mundo, para se conseguir a jornada de trabalho de oito horas. A primeira paralisação coletiva nesse sentido tinha sido em Londres, 52 anos antes, também violentamente reprimida pela polícia.

A tese de oito horas para o trabalho, oito horas para o lazer e oito horas para dormir foi de um pastor protestante John Peacock, segundo a qual Deus fizera o dia com 24 horas exatas a fim de que elas fossem divididas por três, que é o sagrado número da Santíssima Trindade.

O processo da Praça do Mercado que julgou oito dirigentes da greve, durou um ano e meio, ao fim do qual eles foram condenados, à saber: cinco à morte, três à prisão perpétua, com trabalhos forçados. Eram oito anarquistas, homens que sendo ateus, faziam do amor ao próximo uma quase-religião, erigindo à categoria de culto aquilo que chamavam de Dignidade Humana.

No dia 14 de julho de 1889, primeiro centenário da Revolução Francesa em Paris, o Congresso Internacional Socialista proclamou o 1º de Maio, com o Dia Internacional do Trabalho, em homenagem aos Mártires de Chicago.

No Brasil, em 1886, ainda havia oficialmente o trabalho escravo. Não existia um proletariado, muito menos um proletariado urbano. Nosso governo era o imperador D. Pedro II, que seguia o conselho paterno para que desse um golpe de Estado, antes que algum aventureiro republicano tentasse faze-lo, diferentemente dos Estados Unidos, onde o capitalismo já era uma realidade.

Foi nesse quadro geral contrastante com das nações industrializadas, que se realizou o 1º Congresso Operário Brasileiro, em 1906, no Rio de Janeiro. Os trabalhadores brasileiros, é claro, eram muito novos e inexperientes, correspondendo, em inexperiência, à classe dirigente, a qual não sabia exatamente o que fazer com esse imenso país, herdado pelos portugueses.

O tema predominante do Congresso de 1906 era exatamente "como comemorar o 1º de Maio?". Somente em 1949, pela Lei nº 662, é que no Brasil foi declarado feriado nacional o dia 1º de Maio, em comemoração ao dia do trabalho.

Em 2006 o que a classe trabalhadora tem para comemorar? Crescimento econômico medíocre, desemprego em alta e perda da massa salarial, distribuição de renda mais vergonhosa do planeta, discriminação do trabalho das mulheres e das minorias.

O modelo global de produção continuará provocando a exclusão social. Em nosso país se paga o controle da inflação com o desemprego, a miséria e a fome. Os únicos trabalhadores que continuam sendo recrutados em grandes quantidades são os robôs. As propostas para a superação do desemprego são tímidas e pouco articuladas. A maioria repete monocordicamente a flexibilização dos contratos e da Lei. São soluções ingênuas, escapistas e por vezes, meramente retóricas, tendo em vista a gravidade que a questão da exclusão social atinge nosso país.

Numa crônica escrita mais de 100 anos, o escritor Machado de Assis definiu assim o direito de protestar: "A liberdade não é surda-muda, nem paralítica. Ela vive, ela fala, ela bate as mãos, ela ri, ela assobia, ela clama, ela vive a vida".

 

* Presidente do SENALBA-PR e da CGTB-PR