Engate para reboque nos carros terá regras

RIO DE JANEIRO - O Conselho Nacional de Trânsito (Contran) decidiu disciplinar o uso das esferas de acoplamento mecânico para reboques (engate traseiro) — um acessório que se popularizou, sobretudo para proteger os pára-choques em pequenas colisões.

Aprovada no fim de julho, a Resolução 197 foi publicada segunda-feira e estabelece prazos para os motoristas se regularizarem. Segundo o Contran, cerca de 70 mil engates são instalados a cada mês em todo o país.

Regulamentação definirá período de transição - Os donos dos veículos que já têm o engate instalado têm 180 dias (seis meses) para retirar ou adaptar o dispositivo às seguintes normas: esfera maciça apropriada para o tracionamento de reboques; existência de tomada e instalação elétrica para a conexão do veículo rebocado; dispositivo para a fixação de corrente de segurança do reboque; ausência de superfícies cortantes; e dispositivos de iluminação regulamentados.

Os fabricantes e instaladores dos engates têm seis meses para adequar o equipamento às normas do Inmetro. Em 730 dias (dois anos), a estrutura dos engates incluirá uma plaqueta inviolável com a identificação do fabricante, o número do registro concedido pelo Inmetro, o modelo e a capacidade máxima de tração do veículo. Os fabricantes e os importadores de veículos têm, por sua vez, um ano para informar ao Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) os modelos que têm capacidade para tracionar reboques.

Diretor do Contran e do Denatran, Alfredo Peres da Silva explicou que, após a regulamentação, haverá um período de transição até as novas regras entrarem em vigor. Quem estiver em desacordo, estará cometendo infração grave, que prevê multa de R$ 127,69, com perda de cinco pontos na carteira. Além disso, os motoristas que não seguirem as novas regras cairão em exigência quando forem fazer a vistoria obrigatória do veículo.

Segundo técnicos do Contran, que pediram para não serem identificados, o debate no conselho tendia para a proibição dos engates fixos, mas prevaleceu o argumento de empresários do setor, que alegaram que cerca de cem mil trabalhadores de fábricas e lojas de acessórios perderiam o emprego.

Segundo fabricantes de automóveis, a instalação das esferas já têm regras a serem seguidas. Carlos Henrique Ferreira, assessor técnico da Fiat, observa que, mal instalado, o engate pode agravar os efeitos de uma batida.

— O engate só deve ser montado numa barra ancorada em pontos estruturais do carro, para distribuir a energia de um impacto. Os pára-choques são projetados para suportar impactos de até 4km/h sem danos. Nas batidinhas típicas de estacionamento, as bolas de engate só prejudicam — afirmou.

Dono de oficina, Wanderley Mencarini concorda.

— Dependendo da instalação, o engate ajuda a destruir o carro numa batida. Os que vão presos na lataria concentram toda a força do impacto num único ponto e aumentam os danos na parte de trás do veículo — diz ele, que recomenda apenas os equipamentos removíveis, em que a bola de encaixe pode ser retirada quando não há reboque a puxar.

Esferas podem danificar outros carros e ferir pessoas - Outro problema é danificar os carros que batem nas esferas metálicas. O médico Alberto Sabbag, secretário-geral da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego, lembra que há risco até para os pedestres:

— O engate fixo é um obstáculo projetado para fora dos limites do pára-choque traseiro. Qualquer pessoa, e as crianças em especial, pode machucar as pernas ao passar por trás do veículo.

— Não há estatística mostrando que os engates são danosos. Em seis anos como fabricante, nunca recebi qualquer reclamação. E quem bate na traseira está errado — rebate Alexandre Prado, da fábrica de engates Cithera.

Fonte: O Globo 4/8/2006