Petrobrás tem resultado recorde com alta de preço
SÃO PAULO - Seguindo a boa fase das maiores petroleiras do mundo, a Petrobras fechou o semestre com lucro líquido de R$ 13,634 bilhões, o maior de sua história e 37% superior ao obtido no primeiro semestre de 2005. No rastro desses bons resultados, o valor de mercado da companhia alcançou a cifra de R$ 202, 6 bilhões no dia 30 de junho.
No segundo trimestre, o lucro da estatal foi de R$ 6,959 bilhões, em linha com as estimativas de analistas do mercado financeiro e 42% acima do registrado no mesmo período do ano passado. Em grande parte, o resultado foi impulsionado pela alta dos preços do petróleo, que tem elevado a lucratividade das empresas do setor mundialmente a níveis nunca vistos.
Na Petrobras, o efeito é sentido mesmo considerando que a empresa produz petróleo pesado, que no segundo trimestre foi vendido com desconto médio de US$ 11,42 em relação à cotação internacional do petróleo tipo Brent. Em média, a empresa vendeu seu petróleo por US$ 58,20 por barril no último trimestre, acima dos US$ 53,69 médios do trimestre anterior.
Já o preço de realização (PMR) - que reflete a média dos preços de todos os derivados produzidos pela empresa - foi de US$ 70,7 por barril, em média, no segundo trimestre. O valor supera a cotação média do Brent no período, de US$ 69,6 por barril.
O resultado da Petrobras teria sido maior se a produção de petróleo não tivesse aumentado apenas 2% devido a paradas, para manutenção programada, de nove plataformas em maio e junho. Essa concentração neutralizou em parte o incremento trazido pelo início da operação das plataformas P-50 e Capixaba.
O saldo foi a redução de 34 mil barris médios por dia na produção de petróleo. No exterior, houve uma queda de 15% causada principalmente pela mudança nos contratos na Venezuela, que aumentou a fatia da PDVSA nos projetos.
A Petrobras reviu sua expectativa de produção em 2006, estimando agora fechar o ano produzindo 1,88 milhão de barris por dia em média, 30 mil barris menos que a meta anterior.
O diretor financeiro da Petrobras, Almir Barbassa, descartou atrasos no crescimento da produção no ano, dizendo que ela vai aumentar com a entrada das plataformas P-34 e Piranema.
Na contabilização da estatal, ela registrou superávit financeiro e volumétrico em sua balança comercial (importações versus exportações de petróleo e derivados), tendo saldo líquido de 76 mil barris por dia, equivalente a US$ 176 milhões. Contudo, os números não incluem despesas de US$ 600 milhões no semestre para importar gás natural da Bolívia.
A ação preferencial fechou na sexta-feira em R$ 45,40, queda de 0,72%. O papel acumula uma alta de 25,44% no ano.
Fonte: Valor Econômico 14/8/2006