BNDES amplia Procaminhoneiro para R$ 1 bilhão
RIO DE JANEIRO - Dois meses após lançar o Procaminhoneiro, programa voltado à renovação da frota brasileira de caminhões, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) elevou de R$ 500 mil para R$ 1 bilhão o montante de recursos a ser disponibilizado por meio do programa. Essa é mais uma tentativa de incentivar a redução da idade média da frota nacional, hoje com 1,1 milhão de veículos com cerca de 20 anos de uso.
Fatores negativos como a crise agrícola e o impacto da desvalorização do dólar nas exportações, entretanto, têm afetado o setor de transporte de cargas e inibido a demanda por recursos do banco para a compra de caminhões. No primeiro semestre, os desembolsos para esse fim somaram R$ 1,92 bilhão, uma queda de 20% em relação a 2005.
A perspectiva é de que os desembolsos totais da instituição para a compra de caminhões e implementos em 2006 fiquem aquém dos R$ 4,352 bilhões de 2005. Esse volume de recursos correspondeu a mais de 35% dos desembolsos totais das linhas Finame (R$ 12 bilhões), voltadas à aquisição de bens de capital. O segundo principal item financiado pela Finame é a compra de ônibus, para a que foram liberados apenas R$ 1,2 bilhão.
Dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) mostram que a queda nas vendas internas de caminhões no atacado entre janeiro e julho foi de 12,6%, atingindo 42.460 unidades. Em julho, no entanto, já houve certa recuperação, com alta de 5% em relação a julho de 2005. Todas as montadoras viram suas vendas caírem nos sete meses do ano e apenas algumas conseguiram reagir em julho.
Vendas - Os caminhões semipesados e pesados foram os que registraram maior redução das vendas de janeiro a julho - já que são os mais utilizados para o transporte de grãos - e continuam em queda na margem. As vendas de semipesados caíram 24,8% entre janeiro e julho, em relação a igual período do ano passado, reduzindo o ritmo para 10,3% quando se comparam apenas os meses de julho. Entre os pesados, o recuo foi de 17,2% nos sete meses do ano e de 5,5% em julho.
"O transporte está sofrendo as conseqüencias dos problemas do setor agrícola. Mas a ampliação do volume de recursos e do prazo do Procaminhoneiro mostra a confiança de que há espaço para esses investimentos", diz Eduardo Ichikava, técnico do departamento de máquinas e equipamentos do BNDES. Ele diz que ainda não é possível medir os desembolsos do novo programa.
Lançado em junho, o programa pretende facilitar o acesso ao crédito a autônomos e empresários individuais, até então limitados às linhas do Finame. O Procaminhoneiro ampliou de 90% para 100% a participação do BNDES no financiamento dos caminhões e reduziu o spread máximo do agente financeiro de 7% para 6%. O prazo de carência e amortização do empréstimo passou para sete anos, o que inclui os caminhões novos (antes com prazo de seis anos) e usados (antes de quatro anos). A taxa de juros também foi reduzida de 16,15% para 15,15%, incluída na conta a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) de 8,15%. O prazo do programa foi ampliado de dezembro deste ano para dezembro de 2007.
Fonte: Jornal do Commercio 28/8/2006