Número de empresas surpreende a ANTT
Levantamento registra 114,6 mil transportadoras. O governo supunha que havia 40 mil. Nem a própria Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), responsável por regulamentar o setor de transporte de cargas rodoviárias, tinha noção da dimensão do setor. O diretor-geral da agência, José Alexandre Resende, admitiu ontem que o governo não sabia números como quantidade de empresas e tamanho da frota. Para surpresa do governo, quase 1,5 milhão de caminhões transportam cargas nas rodovias brasileiras. São 752,5 mil transportadores sendo 637,2 mil autônomos, 114,6 mil empresas e 545 cooperativas.
"Isso dá uma idéia do que era o desconhecimento do setor. Nós, uma agência reguladora, admitimos que teríamos em torno de 300 a 500 mil autônomos e chegamos a mais de 600 mil. Nossa estimativa para empresas era de 40 mil e ultrapassou os 100 mil. Isso mostra da fragilidade da informação com que se trabalhava no País em relação a esse setor", afirma Resende.
A partir das inscrições no Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Carga (RNTRC), a ANTT elaborou uma espécie de mapa do setor. Desde junho de 2004, todo transportador de carga é obrigado a se registrar junto à agência - desde março de 2005, quem não tiver o documento pode ser multado em até R$ 500. Segundo eles, o mapeamento é o primeiro passo para a implementação de melhorias setor.
"Esse relatório funciona como uma base para conhecermos efetivamente a realidade do setor e, a partir daí, com a análise desses dados, iniciar estudos e avaliações sobre propostas e políticas públicas para que o governo possa analisá-las e eventualmente adotá-las".
Segundo a ANTT, a média de veículos por transportador é de 1,3 para os autônomos, 5,4 para empresas e 14,2 para cooperativas. A região Sudeste tem a maior concentração de veículos, com quase 679 mil unidades. Só em São Paulo, o estado com mais caminhões, são mais de 385 mil veículos. Cerca de 43% das empresas de transporte de carga têm apenas um veículo. Entre os autônomos, o número sobe para 81%.
A idade média dos veículos também impressiona: 14,7 anos, quando o recomendado pela ANTT é de até nove anos. Entre os autônomos, que representam 56,6% do total de veículos, a média é ainda maior, 19 anos. Existem 110.154 caminhões com mais de 30 anos transportando cargas nas estradas brasileiras, o que representa 8,4% do total.
"Quanto maior a idade média, mais gastos com combustíveis, menos condições de transportes e mais o veículo prejudica a malha rodoviária. A combinação da situação das estradas com a alta idade da frota termina em um regime de ineficiência do transporte rodoviárias de carga no País", afirma o diretor geral da agência.
Modernização da frota - Entre as ações previstas pela ANTT para melhorar a situação do transporte de cargas rodoviários, está a criação de uma espécie de um plano de mondernização de frota para o setor, uma linha de financiamento com juros baixos para a troca dos caminhões, a exemplo de programas existentes para máquinas agrícolas.
Além disso, o Ministério da Cidade já aprovou a obrigatoriedade da inclusão do número do RNTRC no licenciamento dos veículos. Tal providência no entendimnento da ANTT, poderá facilitar a fiscalização.
Fonte: Gazeta Mercantil 2/2/2006