Fiergs quer indenização de caminhoneiros

Entidade da indústria reclama que a paralisação dos transportadores prejudica empresas que operam no porto do Rio Grande.

O presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), Paulo Tigre, determinou ontem à Unidade Jurídica da entidade o estudo de medida judicial cabível para a compensação dos prejuízos sofridos pelas empresas que operam no porto em função do bloqueio das vias de transporte de cargas desencadeado pelo Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos de Rio Grande (Sindicam) que dura mais de uma semana. Na segunda-feira, exportadores reclamaram de atrasos nas operações através do porto, que teria deixado de movimentar cerca de 14 mil contêineres durante a greve, conforme cálculo da superintendência do porto. O terminal gaúcho também começa a correr o risco de perder cargas para os portos catarinenses de Imbituba e Itajaí.

A Fiergs examina responsabilizar o sindicato e buscar assim indenizações financeiras pertinentes. O bloqueio vem sendo promovido inclusive com violência, segundo informam as indústrias prejudicadas, e ainda que houvesse segurança disponível, os dirigentes sindicais impedem que seus associados façam o transporte. Procurado, o presidente do Sindicam, Paulo Quaresma não foi localizado para comentar a decisão da Fiergs.

Tigre também levou o tema ao setor jurídico da Confederação Nacional da Indústria (CNI), já que o bloqueio atinge vias da área portuária sob a responsabilidade do governo federal, o qual pode de imediato reforçar o policiamento rodoviário em toda a região. Essa soma de fatores vem sendo monitorada pela Fiergs através de vários sindicatos setoriais da indústria gaúcha, que transmitem informações diárias à entidade desde a semana passada.

O superintendente da Superintendência do Porto do Rio Grande (Suprg), Vidal Áureo Mendonça, que vem intermediando as negociações entre caminhoneiros e empresas envolvidas, informou ontem que, caso a paralisação não termine hoje, ele vai passar a responsabilidade quanto ao acesso das cargas e o direito de ir e vir dos transportadores ao Comando Regional da Brigada Militar.

Está marcada para hoje uma assembléia geral dos caminhoneiros para discutir a movimentação. A única reivindicação feita pelos caminhoneiros que ainda não foi atendida é a realização do transporte interno no pátio do Terminal de Contêineres (Tecon), diz Mendonça. Ele afirma que se a paralisação terminar, ele negociará com o Tecon uma solução em dez dias.

Fonte: Jornal do Commercio 1/2/2006