Bloqueio - PRF teme conflito na BR-158
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) teme a possibilidade de que ocorra um conflito durante o protesto dos cerca de 150 trabalhadores rurais sem-terra que mantêm impedida a passagem no quilômetro 385 da BR–158, em Ribeirão Cascalheira (a 893 quilômetros de Cuiabá) há mais de 48 horas. Conforme a inspetora chefe da PRF de Barras do Garças, Marivone Fiorese Martini, os ânimos entre manifestantes e motoristas que aguardam a liberação da rodovia, estimados em 300 pessoas pela polícia até ontem à tarde, estão alterados. O grupo é o mesmo que tenta ser assentado na fazenda Bordolândia.
“Os ânimos estão bem exaltados. Há risco da situação se complicar, já que eles vêm impedindo a passagem por muito tempo e ali não existe outra opção para os motoristas. Sem contar que o grupo não tem liderança. Pode mais quem grita mais alto”, comentou a inspetora, informando que nenhuma arma foi identificada entre os sem-terra, mas que há informações da presença delas.
Há cerca de duas semanas, o mesmo grupo de trabalhadores rurais havia fechado a BR-158, mas estava permitindo a passagem dos veículos de seis em seis horas. Desta vez, a estrada está completamente intransitável. “Ali já é um trecho sem asfalto. Não existe possibilidade de comunicação no local. Eles colocaram dois pontos de bloqueio na rodovia, impedindo a passagem nas duas mãos. Acho que escolheram esse trecho justamente porque não há outra alternativa de passagem, a não ser voltar”, avaliou a policial.
A preocupação sobre a possibilidade de conflito fez com que a superintendência da PRF em Cuiabá enviasse um contigente de 20 patrulheiros ao local, grupo que será reforçado por mais 10 policiais da delegacia de Barra do Garças.
“Não há como os policiais de Água Boa (posto localizado a 160 quilômetros do local de conflito) permanecerem lá, até por uma questão de segurança, porque não há meios de comunicação. Eles ficam indo e voltando na rodovia, fazendo a ronda. O reforço de Cuiabá está vindo justamente para ampliar o contingente e podermos manter policiais no local”, informou Marivone.
Lideranças dos acampados da fazenda Bordolândia estiveram ontem em Cuiabá, na tentativa de agilizar, junto ao Ministério Público, a regularização da área. “A gente não agüenta mais sofrer. Já era para estarmos nessa terra. Por isso, só vamos desocupar a rodovia quando houver uma solução”, reclamou a representante do grupo, Ana Cleudi dos Santos. Os manifestantes, que vivem acampados às margens da BR-158 desde setembro de 2005, protestam contra a demora no processo de desapropriação da área, de 57 mil hectares.
Fonte: Diário de Cuiabá - MT 10/3/2006