Para empresas, operação tapa-buraco é paliativa

As empreiteiras responsáveis pelas intervenções nas rodovias em que o Tribunal de Contas da União (TCU) apontou baixa qualidade do serviço, conforme reportagem publicada ontem pelo HOJE EM DIA, justificaram a má classificação, informando que a característica da obra é paliativa.

As empresas foram contratadas para recuperar trechos precários em Minas Gerais, dentro do Programa Emergencial de Trafegabilidade e Segurança nas Estradas (Petse), do Ministério dos Transportes, conhecido como Operação Tapa-Buraco, iniciado em janeiro e com prazo de conclusão até julho.

O programa abrange 47 trechos em Minas Gerais, e 23 já foram concluídos. O TCU e a Controladoria Geral da União (CGU) fiscalizam, desde fevereiro, o cumprimento dos trabalhos, quanto à qualidade dos serviços e legalidade dos contratos.

Um relatório parcial do TCU, com parecer sobre 40 das 103 fiscalizações realizadas, apontou que 15 trechos mineiros apresentam irregularidades. Desses, todos estavam sem contrato com as empreiteiras, seis, com baixa qualidade no serviço, e três, com previsão de obras não emergenciais.

A reportagem entrou em contato com as três empreiteiras - Egesa Engenharia S.A., Construtora Asteca e Construtora Ferfranco - responsáveis pelos trechos em que a qualidade do serviço foi questionada.

O engenheiro responsável pelos dois seg mentos da Asteca, na BR-354 (entroncamento MG-050/entroncamento BR-381 e entroncamento MG-170/Arcos), Wantuil Eustáquio Pinto, afirmou que os serviços foram realizados dentro das normas do Departamento Nacional de Infra-Estrutura e Transportes (Dnit) e com materiais fiscalizados pelo órgão.

“Fomos contratados para tampar os buracos. Foi uma obra paliativa até que seja feita a definitiva", afirma. Segundo ele, a estrada estava intrafegável, já que não passa por restauração há 34 anos. O engenheiro explicou que a massa adquirida com os recursos passados pelo Dnit não foi suficiente para que se passasse uma camada de asfalto por cima de toda a pista.

A Egesa, que trabalhou na BR-265 (Barbacena/São João Del Rei), BR-267 (Entroncamento BR-116/Olaria) e BR-267 (Olaria/Caxambu), informou, por meio da assessoria de imprensa, que os os serviços estão dentro das especificações e instruções do Dnit.

No entanto, a empresa destaca que são contratos de emergência, “mero paliativo de caráter momentâneo, que não contemplam as soluções adequadas para a rodovia".

A assessoria de imprensa informa também que itens da estrutura dos trechos já estão condenados, e esclarece que os recursos não eram suficientes para realizar todas as intervenções necessárias. As duas empreiteiras acreditam que novos buracos irão aparecer se não houver uma intervenção definitiva nas vias.

A direção da Ferfranco, que ficou com a BR-352 (entroncamento BR-146, BR-354 e BR 365 para Patos de Minas/entrocamento BR-354), informou, por meio de uma funcionária, que só poderia falar com a reportagem na segunda-feira.

O governador Aécio Neves criticou o desempenho do programa, conforme a avaliação do TCU, e disse que é lamentável a falta de planejamento do Governo federal. “Isso é desperdício de dinheiro público. O Governo que não consegue planejar o que vai fazer durante o ano, quando quer gastar de uma vez só, gasta mal e quem perde é a população".

Fonte: Hoje em Dia 10/4/2006