Interdições minam paciência na estrada

Por causa de protestos dos trabalhadores rurais sem-terra ou mesmo devido à falta de condições de trafegabilidade das estradas, empresas do setor de transporte intermunicipal e interestadual - de cargas e passageiros - já contabilizam, somente neste ano, pelo menos oito interdições das rodovias estaduais ou federais em Mato Grosso.

Transtornos, riscos de acidentes, prejuízos financeiros e operacionais ou mesmo ameaças contra motoristas que tentam furar as barreiras devido à preocupação com o prazo de entrega de cargas - muitas vezes perecíveis - são alguns dos problemas enfrentados por quem tem que ficar horas parado à beira de uma estrada.

Os prejuízos, conforme o secretário executivo do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas no Estado de Mato Grosso (Sindmat), Gilvando Alves de Lima, são difíceis de calcular. “Além de pagamentos extras, há perdas de alimentos perecíveis, animais emagrecem ou mesmo podem morrer. No caso de passageiros, que viajam com um certo conforto, a partir do momento em que passam horas parados na estrada podem ficar sem comida ou água”, comenta. Outro risco, conforme ele, é em relação à exposição de produtos inflamáveis por muito tempo ao sol.

Diante destas possibilidades, Gilvando de Lima considera os bloqueios um ato de irresponsabilidade. “Tem que existir uma medida preventiva para evitar que estas manifestações novamente aconteçam. Os sem-terra devem buscar alternativas legítimas de reivindicação”, diz.

Para Gilvando Lima, a partir do momento que os sem-terra interditam as rodovias e causam transtornos, se tornam “antipáticos” aos olhos da sociedade. Ele observa ainda que as rodovias são bens públicos e cabe aos órgãos responsáveis zelar e garantir pela correta e adequada trafegabilidade.

Há, inclusive, a intenção do sindicato de reunir representantes dos movimentos, autoridades públicas e setores envolvidos para discutir o assunto. “Acreditamos que os sem-terra têm direito de se manifestar, mas não impedindo o trânsito de pessoas em um patrimônio que é de todos. Seus protestos devem ocorrer no ‘foro’ adequado”, pondera.

Gilvando de Lima lembra que quem trafega pelas estradas não pode ser ainda mais prejudicado, já que também enfrenta problemas de condições de trafegabilidade da pista. Para ele, as interdições provocadas em decorrência de excesso de chuvas revelam problemas logísticos e que colocam em cheque, exceto em casos de força maior, estudos feitos para instalação de pontes ou manilhas, por exemplo.

Interdições - No dia 27 de fevereiro, trecho da BR-364 cedeu em função de alagamento na pista. Além de congestionamento, o rompimento do asfalto da rodovia causou o tombamento de um ônibus. Várias pessoas ficaram feridas. Problemas de transbordamento de rios e desmoronamento também ocorreram nas BRs 163, entre Terra Nova do Norte e Peixoto de Azevedo, e 070, que liga a capital a Cáceres.

Ainda em fevereiro, por três dias seguidos, trabalhadores sem-terra bloquearam a BR-364, para cobrar agilização no processo de assentamento de famílias acampadas ao longo das rodovias do Estado. Mas recentemente, no início deste mês, a rodovia voltou a ser interditada por dois dias seguidos.

Fonte: Diário de Cuiabá 17/4/2006