Arco rodoviário é uma das prioridades de Ministério

RIO DE JANEIRO - A construção de um arco rodoviário metropolitano, que irá interligar o Porto de Itaguaí às principais rodovias federais que cortam o Rio de Janeiro, e as concessões da BR 101 Norte e da BR 393 - na divisa com Minas Gerais - serão as prioridades para o Estado dentro do Plano Nacional de Logística de Transportes, desenvolvido pelo ministério dos Transportes.

O secretário de Política Nacional de Transportes, José Augusto Valente, que participou ontem de um encontro com representantes do setor na Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), afirmou que este documento irá nortear os investimentos públicos e privados no segmento de transportes em todo País, nos próximos 20 anos.

De acordo com o coordenador técnico do plano, Marcelo Perrupato, o objetivo desta iniciativa é desenvolver, formalizar e perenizar uma base de dados e instrumentos de análise para dar suporte ao planejamento de intervenções públicas e privadas na infra-estrutura e na organização dos transportes. Ele informou que o prazo final para a conclusão do documento é o dia 15 de dezembro e lembrou que o mistério tem feito debates sobre o tema em todo o país.

"Estamos na fase de criação de um banco de dados, que inclui a realização de reuniões pelo Brasil. Ao todo serão nove encontros e, no dia 31 de agosto, haverá uma reunião nacional em Brasília", completou.

A assessora de infra-estrutura e novos investimentos da Firjan, Marta Franco, disse que o Rio de Janeiro tem uma rede de transportes adequada, já que conta com cinco portos, um moderno aeroporto internacional, uma ampla malha rodoviária e acessos às linhas ferroviárias. Ela ressaltou, entretanto, que o setor carece de investimentos e afirmou que apenas ações paliativas, como a operação Tapa-Buracos, foram realizadas. "Os investimentos em conservação da malha rodoviária estadual e federal são insuficiente.

Algumas têm traçado antigo e inadequado ao volume de tráfego. Além disso, os aeroportos do interior do Estado são subtilizados, já que não atendem aos requisitos para operação com segurança", explicou.

Portos - Marta afirmou que, entre as propostas da Firjan para o plano, estão a melhoria da acessibilidade dos portos do Estado. Segundo ela, a construção do arco rodoviário metropolitano é fundamental para a entrada e saída de cargas do Porto de Sepetiba e também para desafogar o tráfego do Centro, melhorando a circulação na Avenida Brasil, por exemplo.

A assessora sugeriu também a implantação de uma alça de acesso ao bairro do Caju, o que irá melhorar a circulação na área do entorno do Porto do Rio de Janeiro. Ela defendeu ainda a concessão da BR 101 e da BR 393, assim como a intensificação do uso dos aeroportos do interior do Estado e a revisão dos tributos cobrados.

Plano Nacional de Logística - O secretário de Política Nacional de Transportes, José Augusto Valente, contou que o projeto do arco rodoviário será o grande investimento do Plano Nacional de Logística de Transportes no Rio de Janeiro e informou que o ministério está na reta final para lançar a parceria público-privada (PPP) para sua criação. De acordo com ele, depois da aprovação da PPP, o prazo para a conclusão do arco é de dois anos.

Valente disse ainda que as concessões das rodovias BR 101 e BR 393 irão acelerar uma série de investimentos que o governo não poderia realizar, além de garantir recursos para atendimento e manutenção permanente das estradas. O subsecretário para Portos e Logística da secretaria estadual de Energia, Indústria Naval e Petróleo, Delmo Pinho, também é a favor da construção do arco rodoviário, que permitirá que todo o tráfego de entrada e saída do Estado contorne a Região Metropolitana. Ele destacou, entretanto, a necessidade de se realizar um novo traçado para o projeto. "O planejamento atual é modesto, é preciso levar em conta a presença da Refinaria Petroquímica, do Complexo Gás-químico da Baixada Fluminense e do Porto de Sepetiba. O arco rodoviário deve abraçar todos os pontos de entrada e saída importantes do Rio de Janeiro", avaliou. Valente ressaltou ainda que o processo de elaboração do documento terá a participação da sociedade e de atores, como indústrias e transportadores, que são os principais envolvidos na questão dos transportes. Ele afirmou que este é um plano de Estado e que independe dos governantes dos próximos 20 anos.

O secretário disse ainda que é preciso criar mecanismos que permitam um monitoramento e uma avaliação das ações propostas. Estavam presentes também no encontro o vice-presidente do Centro das Indústrias do Rio de Janeiro (Cirj), João Lagoeiro Barbará; o secretário executivo do ministério dos Transportes, Miguel Mário Messela ;e o secretário estadual de Transportes, Albuíno Cunha de Azeredo.

Fonte: Jornal do Commercio 25/7/2006